O cinema americano forma a opinião do grande público sobre qualidade cinematográfica. Por isso ainda há pessoas achando que o melhor cinema sempre vem de lá, por ter mais grana, por ter os melhores atores (o star system). Isso é muito contestável, qualquer um deveria perceber sem dificuldade, mas não é o que acontece. Não é a toa que ciclos de produção americana de tempos em tempos condicionam o público a enxergar gêneros cinematográficos miopemente. Veja o caso de "Pânico", de Wes Craven: o sucesso de bilheteria gerou franquia de bom rendimento, e apareceu um cinema de entretenimento correndo na cola do sucesso - houve um boom de filmes de terror sempre grudados no estereótipo teen, que mais tarde se renovou pelo marketing procurando fazer um terror dentro dos interesses desse novo público; depois veio o orientalismo a ditar o terror americano e por aí vai. O resultado é que muita gente foge do gênero terror hoje em dia, não pelo medo (como nos gloriosos anos 50, 60 e 70), mas por não falar sua língua: "Ih, de novo essa molecada ensanguentada.", "Ah, esse tipo de monstro só existe lá no Japão!", e então "Olha, terror não faz muito a minha praia.". Pra mostrar que a vida não é tão chata, um filme de terror elogiado (na verdade é um horror psicológico), que vai noutra direção (graças a Deus, e se bobear tem E. A. Poe no meio) e talvez nem saiu por aqui: de Simon Rumley, "Os vivos e os mortos". Nele, aristocratas decadentes, Donald e Nancy vivem reclusos numa mansão com James, o filho mentalmente perturbado. Perto da falência, Donald está tentando vender a mansão quando Nancy adoece. Ele precisa viajar por alguns dias e pede a enfermeira Mary que cuide de tudo. James entretanto quer provar ao pai que é capaz de cuidar da mãe. Ele expulsa Mary, troca as pílulas da mãe com as suas e não toma seus remédios. Depois de alguns dias, Nancy está perto da morte.